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À espera de asilo político, medalhista paralímpico disputa a Corrida de São Sebastião

À espera da concessão de asilo político no Brasil, Tamiru Demisse retorna amanhã às competições, na pista do Aterro do Flamengo, Zona Sul do Rio, ao lado de cinco mil atletas na Corrida de São Sebastião. O etíope de 22 anos foi medalhista de prata nos Jogos Paralímpicos da Rio-2016, nos 1.500m, classe T13, e passou a ser conhecido do público, após cruzar os braços, em um gesto de protesto contra o governo do seu país, ao passar a linha de chegada e no pódio.

Tamiru Demisse ganhou a medalha de prata nos 1.500m , na classe T13 (Foto: Bob Martin/IOC)

Ao término da Rio-2016, Demisse entrou com um pedido de asilo político no Brasil. O atleta quer permanecer no país, por medo de perder a vida se retornar à Etiópia:

– As providências já estão sendo tomadas. Ainda não tenho como afirmar o que irei fazer caso não consiga asilo político no Brasil.

O medalhista paralímpico explicou que o seu povo, da etnia Oromo, sofre com a opressão e mais de três mil pessoas já morreram na Etiópia.

– Meu protesto foi contra o governo da Etiópia. Por isso, quando surgiu a chance de participar dos Jogos Paraolímpicos, decidi fazer o protesto ciente de que não poderia voltar mais sem colocar a minha vida em perigo – ressaltou Demisse.

Deficiente visual desde os nove anos, por causa de uma infecção, quando perdeu um olho e o outro ficou com apenas 30% de visão, o etíope começou a correr aos 17 anos. Isso porque o atletismo é o esporte número um na Etiópia.

Tamiru Demisse fez o gesto de protesto na pista do Engenhão (Foto: JASON CAIRNDUFF/Reuters)

– Minha pretensão nesta corrida é me testar. Será a minha primeira prova de dez quilômetros na rua, porque ainda não competi nesta distância, só fiz treinamentos.

Demisse precisou se adaptar tanto à realidade de ser cego como do próprio esporte para sobreviver e vencer as barreiras que lhe apareciam.

– No início, foi difícil para me adaptar. Mas ao longo dos anos, meu organismo acabou se adaptando a essa deficiência a ponto de poder competir até com atletas normais – afirma:

– Esta vai ser a minha primeira corrida pós-Jogos Paralímpicos no Brasil.

A Corrida de São Sebastião tem um público diversificado. O evento vai reunir mais de cinco mil corredores, em provas com percursos de cinco e dez quilômetros. Todas as inscrições foram esgotadas. Já no dia 29, acontecerá a Corrida de São Sebastiãozinho, voltada para as crianças três a 14, no Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (Cefan), na Penha. A prova será às 8h.

>>>Agência O Globo

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